
"...pensei nos teus olhos e sentei-me a esperar, nas margens do rio turvo. sonhava acordado contigo, de uma forma quase física, tão forte, que por momentos pensei tocar-te. sonhei percorrer o teu corpo com as minhas mãos, sentir a tua pele sedosa, branco cal.

então acordei, e percorri por entre a suturna sombra do arvoredo, o labirinto faunico sem guia ou bussola. encontrei-me perdido no emaranhado do arvoredo, rompi então caminho a golpes de nada, e no meio de tão solitária companhia, encontrei me num imenso e apertado vazio. todo o meu corpo foi percorrido por um arrepio quente ao olhar num olhar que me olhava, diabólico ser, resplandecente de tão maléfica bondade, que de tão artificial perecia verdadeira como aquelas que sendo verdadeiras são na verdade artificiais.
que insanidade percorre a minha mente! que imagem corrompe o meu corpo! que devaneio nocturno se apoderou de mim! sou assombrado por uma realidade irreal que de tão real torna a realidade irreal. que devaneio me domina! que poder domina e corrompe as minhas palavras! será este tormento real? tão depressa como se começa, assim acaba, e o pesadelo que acabou com o despertar, é como se se arrasta-se para a realidade fazendo-me questionar se se tudo foi ou não real.


1 comment:
Angelus,
Que belo texto.
Melancólico, mas extraordináriamente belo.
Beijos
Post a Comment